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Archive for the ‘Tênis’ Category

O vídeo

Para quem não viu, um pouco do surreal que aconteceu na quadra Suzanne Lenglen hoje de manhã.

Categories: Tênis

Épico

Fabio Fognini contra Albert Montañes, quarta rodada de Roland Garros. Sem dúvida, uma das partidas mais incríveis da história do tênis.

Sempre gostei do jogo do italiano Fognini, a facilidade com que joga tênis é impressionante e dá gosto de ver. Ele joga tão bem que sua constante displicência em quadra não chega a tirar a vontade de ver seus jogos. Hoje, ditou os pontos durante toda a partida contra a muralha Montañes.

No quarto set, já perdendo por dois a um, Fognini saiu de 1-3 para vencer por 6-3, sempre com bolas vencedoras de extrema qualidade. No quinto, começou uma das sequências de eventos mais bizarras e empolgantes que já se viu em uma quadra de tênis.

Fognini errou em momentos cruciais e se viu uma quebra abaixo. Nenhuma surpresa até aí. Montañes sacou para o jogo, e nesse momento o italiano foi corajoso para continuar vivo. Em determinado momento do jogo, no entanto, ele sacava em 15-30, precisando vencer o game para seguir com chances, e sofreu alguma contusão que ainda não se sabe qual foi. Depois de receber atendimento do fisioterapeuta, Fognini jogou no sacrifício, quase sem correr, arriscando ainda mais do que de costume. O final de jogo foi tão absurdo que não consigo pensar no que escrever para descrevê-lo, pois só é possível ter noção do que se passou tendo assistido ao jogo. Cheguei a pensar em apagar esse texto para não postar algo tão pobre em relação a um jogo tão rico, mas não o apaguei para simplesmente prestar uma homenagem à vitória épica de um dos jogadores mais interessantes do circuito, Fabio Fognini. Esse jogo não dá pra esquecer.

 

Categories: Tênis

Memória de Roland Garros

Em 2009, antes do início do Torneio de Wimbledon, escrevi sobre as conquistas de Amelie Mauresmo e Goran Ivanisevic na grama inglesa para entrar no clima da disputa. Hoje, com o Aberto da França já iniciado, resolvi escrever sobre um dos títulos mais improváveis da história do Grand Slams, sem a menor pretensão de parecer poético como tentei quando escrevi sobre a emocionante conquista de Ivanisevic.

Eu realmente gosto da conquista de Gastón Gaudio em Roland Garros, em 2004. Ainda que o argentino fosse um bom jogador no saibro, quem iria imaginar que aquele maluco iria vencer o torneio? Um cara tão instável como ele, talvez o mais instável de todo o gigante circuito mundial de tênis, não deveria vencer sete jogos de cinco sets no saibro de Paris. Mas ele venceu. Derrotou Guillermo Cañas em cinco sets num clássico argentino, passou por Jiri Novak em mais cinco sets, derrotou Thomas Enqvist em quatro, cresceu no torneio ao destruir em sets diretos Igor Andreev, Lleyton Hewitt e David Nalbandian, e marcou encontro em final histórica contra o compatriota Guillermo Coria, por muito tempo seu desafeto.

Quem acompanhava tênis naquela época sabe que Coria era favoritíssimo e merecia o título, por tudo o que havia jogado no saibro em dois anos consecutivos. Cabeça 3, Coria era um baita jogador que só precisava de mais uma vitória para conquistar o título que realmente importava. Gaudio, que nem cabeça-de-chave era, fazia a semana mais louca de sua carreira igualmente louca e não tinha nada a perder.

O jogo não foi dos melhores tecnicamente mas foi dos mais emocionantes que já se viu em uma final de Grand Slam. Coria começou estraçalhando, se machucou, sacou por baixo, voltou pro jogo, fez jogadas geniais, mas quem venceu? Gastón Gaudio, ‘El Gato’, o campeão de Grand Slam mais improvável que se pode imaginar. O estilo resmungão, desleixado, extremamente habilidoso e imprevisível do argentino rendeu um troféu de Grand Slam, e isso ninguém tira dele. Muita gente não gosta dele, mas para mim é uma das figuras mais marcantes das quadras e alguém que escreveu sua história nesse esporte, ainda que por linhas tortas. Abaixo, os melhores momentos da partida e a comemoração escandalosa (tão escandalosa quanto os incontáveis ataques de fúria que Gaudio já teve em uma quadra de tênis) e inesquecível do campeão de Roland Garros em 2004. No outro vídeo, parte do discurso emocionado do campeão. Quem viverá um momento como esse daqui a duas semanas? É hora de aproveitar as duas melhores semanas de tênis no saibro do ano, aquela pela qual todos esperamos.

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Eu e o craque

Categories: Tênis

Blockbuster

Chama-se de blockbuster aquele grande sucesso, algo que deixa marcas por muito tempo por ser diferenciado. O jogo de hoje entre David Nalbandian e Lleyton Hewitt foi definitivamente um blockbuster.

De um modo geral o nível técnico foi bom, apesar dos dois jogadores terem apresentado maus momentos em diversas partes do jogo. O que tornou o jogo tão emocionante foi a enorme quantidade de reviravoltas no placar. Quando parecia que Nalbandian tinha o controle do jogo, Hewitt virou. Quando o jogo parecia ganho para o australiano, o argentino virou.

O jogo foi para o quinto set, e o nível técnico foi aumentando. Embora cansados, ambos começaram a encontrar bolas incríveis. Nalbandian pulou na frente e sacou pra fechar. Mas Hewitt continua sendo o leão de sempre e quebrou de volta. Os últimos games da partida foram sensacionais, cheios de belas bolas, com muita coragem dos dois tenistas e com um suspense espetacular.

A genialidade de Nalbandian foi preponderante no final. Ele chegou a salvar um match-point sacando e voleando um bate-pronto que quase ninguém teria a coragem de fazer. No 15º game, jogou de forma impressionante e quebrou o saque do australiano. Na sequência, se viu em 30-30 sacando para fechar, mas dessa vez foi para a definição e fechou em 3-6 6-4 3-6 7-6 9-7, quase 5 horas de partida.

Hewitt dificilmente irá bater os melhores jogadores do mundo novamente, e por isso é admirável a paixão que ainda demonstra em quadra. Alguém que já voi o melhor por muito tempo, já ganhou Grand Slams e tudo mais a que tem direito, ainda brigar como se cada jogo fosse o primeiro da carreira, merece todo o reconhecimento.

David Nalbandian, quando menos se espera, sempre mostra que não deve ser menosprezado. Continuo achando ele o tenista mais interessante de se ver jogar, e é pela grande variedade de bolas incríveis que ele fez no quinto set desse jogo que digo isso. Embora torça muito, já não acredito mais que ele possa derrotar Federer e Nadal em jogos de 5 sets, pois embora tenha jogo para isso não consegue manter um nível tão alto por tanto tempo. Mas enquanto ele ainda demonstrar a vontade e a genialidade que vimos no jogo de hoje, não custa nada seguir acreditando.

Seu próximo jogo é contra o lituano Ricardas Berankis. Embora goste muito do jovem europeu e torça para que ele tenha muito sucesso no circuito, não consigo não torcer para Nalbandian. Muito menos depois desse jogo épico de hoje. Um blockbuster para ficar guardado na memória.

 

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Nicolas Lapentti

Janeiro 17, 2011 1 comentário

Meu primeiro texto em 2011 é motivado pela aposentadoria de Nicolas Lapentti, que depois de muitos anos na luta dá adeus ao circuito profissional de tênis.

Embora não seja possível comparar os feitos de Lapentti com o de lendas da história do tênis, o legado que ele deixa é muito grande para seus fãs. Não só de títulos, mas de um símbolo de muita superação, de um jogador que nunca desistia até o último ponto e de uma pessoa muito carismática.

A carreira de sucesso do equatoriano começou em 1995, quando em seu primeiro torneio grande da ATP já conquistou o título, em Bogotá (além de Lapentti, só Yahiya Doumbia, Jose Francisco Altur e Santiago Ventura, o último ainda em atividade, conseguiram tal feito). Nos 15 anos de carreira, foram 5 títulos de primeira linha, uma semifinal de Grand Slam, no Aberto da Austrália e uma carreira brilhante na Copa Davis, sempre liderando a equipe do Equador na luta para disputar confrontos do Grupo Mundial. Lapentti chegou a ser o sexto melhor jogador do mundo, em 1999. Não é pra qualquer um.

Após começar a acompanhar tênis com mais frequência, não demorei muito a simpatizar com Lapentti. Seu jogo tranquilo, pensado, sem golpes espetaculares mas com muito toque e habilidade, aliados à característica garra serena do equatoriano, sempre me agradaram.

Em 2009, o último ano em que Lapentti realmente jogou seu melhor tênis, tive três oportunidades de vê-lo em ação. A primeira, no ATP de Buenos Aires, quando vi sua partida contra David Nalbandian ao vivo na quadra central do Lawn Tennis Club; a última, no Esporte Clube Pinheiros, quando ele foi a grande atração do Troféu Brasil de tênis. No entanto, a mais marcante delas aconteceu em setembro.

Naquele mês, estive em Porto Alegre com meu pai para ver o confronto entre Brasil e Equador, valendo vaga no Grupo Mundial da Copa Davis. O que Lapentti fez na quadra do Gigantinho ficará guardado para sempre na memória, e não são precisos vídeos, textos ou fotos para isso, porque toda a história foi tão bem feita que fica na mente sem esforço algum. Não tenho vergonha de dizer que torci para ele e seu irmão Giovanni ganharem aquele confronto, porque jogaram tudo o que sabiam, lutaram de forma incrível e mereceram a vitória. Foram três dias épicos de tênis, e é deles que irei me lembrar quando alguém me perguntar se eu já vi Nicolas Lapentti jogar. Um gênio.

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Categories: Tênis

US Open – Primeira vitória

Começou o US Open, e minha torcida nesse ano é para que David Nalbandian seja o campeão. Pra falar a verdade, é um sonho um pouco distante, mas os Grand Slams são torneios especiais e sempre espero alguma história diferente e marcante. Nalbandian ganhar um deles sempre será uma esperança.

Hoje foi dado o primeiro passo. David enfrentou um jogador que na teoria seria presa fácil, mas que fez do jogo uma batalha. Rik de Voest, da África do Sul, foi para a quadra com o intuito de fazer o argentino jogar e buscar a vitória. Ficou em todos os pontos, defendeu absurdamente bem e deixou nas mãos de Nalbandian a definição dos pontos. O argentino fez muitos winners, mas errou mais ainda.

Nalbandian chegou a perder match-point no quarto set, viu o adversário abrir (e sustentar) uma quebra de vantagem no quinto set, mas não largou o jogo, como já fez algumas vezes no passado, e achou um modo de vencer a partida. Jogou os últimos 4 games de forma fenomenal e fechou em 5 sets uma dura primeira rodada.

A atmosfera na quadra 11 estava sensacional, com cara de Copa Davis. Muitos torcedores argentinos e agregados apoiando o melhor jogador do mundo. Na raça, a vitória veio, e o sonho continua vivo.

Faltam 6.

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Atleta

O jogo de hoje entre David Ferrer e Roger Federer, semi-final do Torneio de Madrid, proporcionou uma reflexão acerca do que é ser atleta. Qualquer pessoa que se considere atleta deve assitir a essa partida , observar atentamente a atuação de Ferrer e perguntar para si mesma se é uma atleta de verdade.

O espanhol foi para a quadra com retrospecto de nove derrotas e nenhuma vitória contra o número 1 do mundo. Federer é muito superior tecnicamente e não deixará de ser. Dito isso, Ferrer poderia simplesmente se contentar com a semi-final, mais uma grande campanha nesse bom ano que vem realizando. No entanto, brigou a cada ponto para tentar algo diferente.

Federer dominou todo o primeiro set. Ditou o ritmo em todos os pontos, e se houve alguma exceção não vem à cabeça tão facilmente qual foi ela. Mesmo com essa visível superioridade, o suíço venceu apenas por 7-5. Isso porque Ferrer salvou um caminhão de break points e venceu na marra cinco games de serviço. Após a queda, o caminho natural seria largar o osso de vez, pois depois de nove derrotas e mais um set perdido, quais seriam as chances de vencer?

Ferrer ficou no jogo. Continuou brigando para superar a desvantagem técnica e conseguiu quebrar Federer quando uma porta foi aberta. Seguiu brigando e venceu o segundo set, 6-3. Não havia dúvidas de que o número 1 iria continuar dominando o jogo, e foi o que aconteceu, mas novamente não foi fácil para ele abrir vantagem. Ferrer chegou até a ter chance de quebra. Mesmo com toda a luta, o espanhol não evitou a décima derrota e perdeu por 6-3. Federer provou mais uma vez que é difícil bater um gênio e isso não acontece a toda hora. Ferrer mostrou o que é ser atleta.

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Tomando o espanhol como exemplo, é possível ampliar essa reflexão para qualquer outro esporte. Atleta não é aquele que simplesmente entra em quadra, na piscina ou no campo. Esses são apenas tenistas, nadadores, jogadores. Atleta é aquele que busca a superação quando é o favorito, quando o adversário é o melhor de todos e a vitória parece impossível, quando ninguém acredita que ele possa fazer algo diferente. É aquele que consegue treinar bem mesmo quando surge aquela dorzinha chata ou quando por algum motivo as coisas não começam bem. É aquele que, mesmo quando tenta reverter um dia ruim e não consegue, afinal não somos máquinas impassíveis de erro, volta com disposição redobrada no dia seguinte e volta a ter sucesso. Um atleta, antes de qualquer outra coisa, ama aquilo que faz, e somente esse amor permite ter a força necessária para fazer tudo isso. E não é qualquer força. É preciso muita força para ser um atleta de verdade. Muita vontade. Muito amor.

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A hora e a vez de Tomas Berdych

Já passa de uma hora da manhã. Há duas horas já tinha desligado o computador, mas o jogo que acabei de ver me obrigou a ligá-lo novamente e escrever algumas linhas nesse blog que já estava mofando.

Tomas Berdych é um tenista de talento indiscutível. Tem mostrado isso pelo menos nos últimos 6 anos. Conquistou títulos importantes (inclusive um Masters Series), mas também carrega consigo a marca de não maximizar seu potencial, perder jogos que deveria ganhar e não preencher todos os lugares disponíveis em sua prateleira.

Há algumas horas, entrou em quadra para enfrentar pela décima vez o suíço Roger Federer, em partida válida pelo Masters 1000 de Miami. Na primeira vez em que se encontraram, o tcheco venceu, nas Olimpíadas de Atenas, em 2004. Daquele dia em diante, foram oito vitórias consecutivas para Federer. Nem todos esses jogos foram fáceis, pelo contrário. Berdych sempre foi um tenista que deu trabalho ao número 1. No Aberto da Austrália do ano passado, esteve muito perto de derrotar o suíço. Chegou a abrir dois sets de vantagem, mas não conseguiu sustentar a liderança.

Hoje, começou mal e foi quebrado logo no primeiro game. Nos minutos seguintes, passou a jogar bem, com a agressividade costumeira, e viu Federer diminuir o nível de jogo. Berdych venceu o primeiro set e não baixou a intensidade no segundo. Federer seguiu errando muito, mas como sempre deu um jeito de ficar no jogo. A cada momento em que o suíço sobrevivia, era inevitável imaginar que mais uma vez ele seria o vencedor. O segundo set foi para o tiebreak, Federer venceu e eu tinha pouquíssimas dúvidas sobre quem avançaria no torneio.

O terceiro set foi dramático. Berdych, para minha surpresa, foi o primeiro a quebrar. Federer devolveu a quebra, e isso já não foi uma surpresa tão grande. Cheio de reviravoltas, o set foi para o tiebreak. Federer chegou ao match-point após uma bola fora do tcheco (segundo o desafio eletrônico, essa bola não saiu mais do que um milímetro). O resto é história. Berdych jogou três pontos magníficos, com uma coragem ainda maior do que mostrou no resto do jogo, se é que isso é possível, e voltou a vencer Roger Federer após cerca de seis anos de espera.

Parafrasear Guimarães Rosa no título desse post pode ser o maior dos clichês, mas hoje foi exatamente a hora e a vez de Tomas Berdych, certamente um jogador ainda melhor depois de hoje. A felicidade dele e de seu treinador, Tomas Krupa, é a imagem que fica dessa vitória histórica e serve de inspiração para a próxima vez que eu entrar numa quadra de tênis. Aliás, já são quase duas horas da manhã e eu tenho que acordar cedo, pois tenho jogo marcado às oito.

Simplesmente esporte.

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Primeira Davis do ano

Alguns tenistas podem até querer acabar com a Copa Davis, mas isso não vai acontecer. Há poucas coisas no tênis tão legais quanto essa competição e ninguém vai fazer com que essa história termine. Nesse final de semana tivemos os primeiros confrontos da competição em 2010, e não faltaram boas partidas e muita competitividade em um dos eventos esportivos mais interessantes entre países. Escolhi quatro confrontos para o primeiro post sobre a Davis nesse ano.

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Embora quase todos voltem as atenções para o Grupo Mundial, muitas vezes os confrontos mais interessantes estão nos Zonais. Um deles aconteceu na Lituânia, entre a equipe da casa e a Grã-Bretanha, válido pelo Grupo II da Europa/África. Os lituanos contavam com quatro jogadores muito jovens (nascidos em 1990, 1991, 1992 e o quarto jogador em 1994). Já os britânicos não contavam com os dois principais jogadores (Murray e Bogdanovic) e apostaram em dois jogadores novos e em uma dupla que vem crescendo no circuito.

Nos dois primeiros dias, aconteceu o esperado. Ricardas Berankis derrotou Daniel Evans, enquanto James Ward e Fleming/Skupski viraram para os britânicos com vitórias sobre Laurynas Grigelis e Grigelis/Sakinis. Hoje, os meninos da Lituânia provaram que precisam ser tratados como gente grande.

Na primeira partida do dia, o talentosíssimo Ricardas Berankis, que foi número 1 do mundo quando juvenil, derrotou James Ward em 3 sets, empatando o confronto. Berankis veio a São Paulo para a disputa do torneio challenger em janeiro e deixou uma impressão muito boa. É indiscutível o talento que o garoto tem. Apesar da baixa estatura, saca muito bem e ainda possui golpes extremamente naturais e bonitos de se ver. Para completar, demonstra muita garra e concentração em seus jogos. Tem tudo para se tornar um grande jogador, e hoje mostrou isso em frente a sua torcida.

Mesmo com a derrota de Ward, a Grã-Bretanha tinha o favoritismo para fechar o confronto no quinto jogo. O lituano Grigelis vinha de bons resultados nos últimos futures e challengers que havia disputado, mas Evans possui mais bagagem no circuito, além de ser apontado por seus compatriotas como uma esperança para que o tênis britânico não se resuma a Andy Murray.

Quem assistiu a esse jogo viu dois jovens jogadores com muita vontade de vencer e dar a vitória à equipe. O jogo teve alto nível técnico, muitas alternâncias de liderança no placar e boa participação da torcida, ainda que o ginásio fosse pequeno. Grigelis não perdeu a cabeça após uma derrota dura no tiebreak do primeiro set (tinha 6-4 e perdeu por 6-8) e ganhou os dois seguintes, dominando o adversário de melhor ranking. Evans, no entanto, conseguiu reverter o momento e empatou a partida, levando o confronto para o quinto set do quinto jogo. Tanto Grigelis quanto Evans não estão nem um pouco acostumados com jogos tão longos, mas a vontade de vencer era muito grande para se deixar o cansaço interferir. Grigelis conseguiu a quebra (com a ajuda de uma marcação duvidosa, é bem verdade), controlou o nervosismo na hora de fechar (teve que salvar break point) e deu ao seu país o terceiro ponto. Vitória merecida para a Lituânia, que conta talvez com o time mais jovem de toda a competição. Olho nos garotos, que daqui a alguns anos podem formar uma forte equipe para competir com os grandes. Uma das equipes mais interessantes ela já é.

Ricardas Berankis

Laurynas Grigelis


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Outro confronto interessante do Grupo II foi disputado em Dublin, na Irlanda. Os donos da casa receberam a Turquia em busca de mais uma vitória.

O tênis irlandês tem conseguido belos resultados no circuito, ainda que de forma modesta. No último Aberto da Austrália, colocou dois jogadores na final do qualifying. Conor Niland perdeu para Ricardo Hocevar, e Louk Sorensen não só entrou na chave como venceu uma partida, parando na segunda rodada contra John Isner. Já a Turquia conta atualmente com um jogador próximo ao top 100. Marsel Ilhan furou o qualifying no último US Open e perdeu na segunda rodada para o mesmo John Isner.

Alguns vídeos da euqipe irlandesa estão disponíveis no Youtube, e neles podem ser vistos alguns ingredientes importantes para se dar bem na Davis, como investimento da federação, boa preparação e muita vontade de vencer. Pelo menos nesse final de semana, o resultado foi visto. Niland derrotou Ilhan com facilidade, James McGee venceu Haluk Akkoyun e a dupla formada por McGee e Barry King bateu com facilidade os mesmos turcos que jogaram simples. Vitória incontestável para outra equipe interessante. Na próxima rodada, eles enfrentam os lituanos.

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Outro confronto do zonal europeu, esse válido pelo grupo I, contou com outra grande virada. A Polônia recebeu a Finlândia em uma quadra coberta e rápida, e jogos muito equilibrados marcaram o confronto.

No primeiro dia, Jarkko Nieminen derrotou Michal Przysiezny em cinco sets, sendo os quatro primeiros decididos em tiebreaks. Em seguida, Lukasz Kubot derrotou a revelação Henri Kontinen em 3 sets. No sábado, a experiente dupla polonesa, formada por Matkowski/Fyrstenberg, derrotou Nieminen e Kontinen em 4 sets.

Hoje, os dois amigos finlandeses deram grande prova de superação. Nieminen empatou o confronto com vitória tensa sobre Kubot em 4 sets. Na partida decisiva, Przysiezny abriu dois sets a um, mas Henri Kontinen mostrou muita qualidade (especialmente em uma quadra rápida coberta, sua preferida) e venceu em 5 sets, completando uma vitória magnífica para os finlandeses. Kontinen é outro jogador jovem de muito talento que vem, na minha opinião, para fazer barulho. Junto com Berankis, tem jogo para incomodar bastante no circuito.

Kontinen e Nieminen

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Os zonais podem ser interessantes, mas o Grupo Mundial reúne as melhores equipes. Para mim, o confronto do final de semana aconteceu na Suécia. Os acontecimentos desse duelo em especial chamaram a atenção dos fãs de tênis muito antes da última sexta-feira.

Juan Martin del Potro anunciou que desfalcaria a Argentina com bastante antecedência. Em seguida, David Nalbandian, que estava voltando às quadra após uma delicada operação no quadril, contundiu a coxa e foi dado como fora de combate. Para piorar, o melhor jogador restante, meu jogador favorito Juan Monaco, também se machucou e ficou de fora. De última hora, no entanto, Nalbandian viajou para a Europa para arriscar seu corpo e ajudar a equipe na tentativa de bater Robin Soderling e os suecos.

Na sexta-feira, Soderling colocou a Suécia na frente ao derrotar Eduardo Schwank. Em seguida, Leonardo Mayer conseguiu um ponto fundamental para os argentinos ao bater o sacador Joachim Johansson, também um pouco aquém de sua melhor forma.

Vou antecipar o modo como o confronto foi definido por motivos que serão conhecidos adiante. Mayer jogou muito bem e deu trabalho para Soderling, mas o vice-campeão de Roland Garros conseguiu nova vitória em três sets. No último jogo, Nalbandian mostrou porque é um jogador fora de série ao derrotar Andreas Vinciguerra em 4 sets e completar a grande vitória da Argentina. Vinciguerra é a cara da Coopa Davis, pois tanto já ganhou um confronto para seu país no quinto jogo (bateu Flávio Saretta em 2003) quanto já perdeu no quinto e decisivo duelo (perdeu para Harel Levy no ano passado, 6-8 no quinto set, e hoje para Nalbandian).

Nalbandian pode ser considerado o herói da equipe pela grande maioria das pessoas, afinal viajou com a cara e a coragem e definiu o confronto. Para mim, no entanto, o personagem que merece destaque é Horacio Zeballos. Carismático, bom jogador, sempre sorridente e muito empolgado, Zeballos é o tipo de jogador que se enquadra perfeitamente nessa competição. No sábado, ao lado de Nalbandian, estreou na Copa Davis da melhor forma possível, jogando extremamente bem, motivando seu companheiro e despejando alegria em quadra. Horacio merece ficar muito tempo nessa equipe, seja pela qualidade de seu tênis, seja pelo aspecto motivacional.

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O melhor da semana

Fevereiro 6, 2010 1 comentário

Por mais significativo que tenha sido o 16º Grand Slam conquistado por Roger Federer, não me trouxe grande inspiração para escrever; se Justine Henin tivesse vencido o torneio feminino, quem sabe não tivesse me forçado a fazê-lo; o jogo entre Hewitt e Baghdatis, que eu tanto esperava, acabou em desistência do cipriota.

Nessa semana, não foi nem um suíço, nem uma belga, nem um cipriota que me fez rabiscar alguma coisa nesse blog. Foi um brasileiro.

Já faz um bom tempo que esse tenista vem chamando a atenção de quem acompanha o circuito. Sempre foi um juvenil vencedor e desde cedo a mídia tenística publica suas conquistas. Passou rápido pelos futures e, desde 2007, tem sido um nome importante nos challengers.

A primeira vez que o vi em ação foi em 2007, durante um future disputado em Santos, minha cidade natal. Uma caxumba me impossibilitou de dar sequência aos treinos de natação naquela semana, além de ter me tirado das principais competições do semestre, e se algumas pessoas dizem que o importante é olhar para certas coisas pelo lado positivo, nesse caso foi poder ter acompanhado uma semana inteira de tênis. Ele mostrou porque era tão comentado e faturou o título. Desde aquela semana sempre torci muito para esse tenista.

Até essa semana, tive outras cinco oportunidades de vê-lo em quadra ao vivo. Durante esse período, fez sua primeira final de challenger, bateu jogadores de melhor ranking mas perdeu inúmeros jogos contra grandes tenistas, sendo que em grande parte deles teve chances de vitória.

Nessa semana, no entanto, ele resolveu fazer acontecer. Depois de estar em desvantagem por 0-3 no terceiro set na primeira rodada do qualifying do ATP de Santiago, não só virou a partida como entrou pela primeira vez na chave principal de um torneio desse nível. Já era um feito e tanto, e uma derrota na primeira rodada não diminuiria em nada a campanha, afinal já tinha um convite garantido para o Brasil Open na semana que vem.

Acontece que entrar na chave principal pelo qualifying é tão mais prazeroso  quanto é mais sofrido. Ele virou um jogo contra um top 70, bateu um espanhol de ranking melhor e que joga a maioria dos torneios em que está presente e não deu chances a um ex-top 35, tenista vencedor e que já quase bateu Rafael Nadal em uma final de Brasil Open. Caso não tenha sido possível perceber, ele está na semi-final de um ATP em sua estréia!

Esses anos de derrotas após perder match-points, de vitórias marcantes e, principalmente, de muita luta, estão rendendo frutos, e com muitos juros, nessa semana no Chile. Ainda não acabou, mas se a semana acabasse hoje, ele seria o grande destaque dela, e com merecimento.

Antes que me esqueça, o nome dele é João Souza, mais conhecido como Feijão. Meu tenista brasileiro favorito, e não é de hoje.

Simplesmente esporte.

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