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Nova estrela

Desde o ano passado comecei a ler muitas reportagens sobre uma tal Melissa Franklin, nadadora ainda do high school no Colorado. Segundo as matérias, se tratava de uma atleta muito talentosa e que começava a quebrar recordes para sua idade nos Estados Unidos. ‘Missy’ rapidamente ascendeu ao cenário nacional, conquistando vaga para os mundiais de Dubai e Shanghai.

Nessa temporada, mostrou ser especial durante várias etapas do Grand Prix norte-americano, mostrando uma versatilidade que impressiona e muito talento nas mais diversas provas que disputou. Não foi raro vê-la destruindo no 50 livre, vencendo o 200 costas e brigando no 200 medley na mesma competição. Ao final do circuito, foi a maior pontuadora, e só recusou o grande prêmio em dinheiro prometido pela USA Swimming para manter a eligibilidade para disputar o NCAA quando terminar o high school.

Em Shanghai, iniciou sua participação anotando uma parcial de 52.99 no 4×100 livre. No 50 costas, prova não-olímpica para a qual não direciona sua preparação, foi bronze. No 4×200 livre, assombrou o mundo ao nadar com muito ímpeto e marcar 1:55.0, tempo que lhe daria o ouro na prova individual, à frente de Federica Pellegrini (é claro que a final da prova individual possui muitos fatores que não permitem garantir que ela ganharia o ouro, mas o tempo que fez e a maneira como nadou a prova foram realmente muito bons).

Ontem, precisou de apenas uma prova para se colocar entre as melhores nadadoras do mundo na atualidade. Que 200 costas maravilhoso, 2:05.10 muito bem nadados, com uma técnica que só não pode ser classificada como impecável pois não existe tal afirmação na natação. O legal é ver que ainda há muito espaço para melhora, como a saída, o trabalho submerso e as transições para o início do nado. Foi uma prova maravilhosa.

Daqui a dois anos ela provavelmente estará ingressando na faculdade. Sua boa situação financeira, a preocupação com a vida acadêmica e algumas decisões que já tomou em relação à possibilidade de virar profissional levam a crer que Missy quer fazer parte do NCAA. Toda e qualquer equipe universitária certamente já está bolando a melhor estratégia para tê-la no elenco, pois é o tipo de nadadora que é indispensável para qualquer programa da Divisão I. Stanford, California, Florida, tanto faz. O que importa é que ela continue evoluindo e maximizando seu talento que já a levou a um título mundial, tão cedo, aos 16 anos.

2012 é ano olímpico, e com ele virão novas responsabilidades para a jovem nadadora. A imprensa norte-americana certamente irá procurar todas as semelhanças possíveis com Michael Phelps. As ofertas para virar profissional serão tentadoras. Mais do que isso, todo mundo agora espera não um, mas vários ouros da atleta nos Jogos Olímpicos. Para isso, ela precisa definir o melhor programa possível, que a possibilite explorar sua versatilidade sem comprometer a qualidade de suas principais provas. Antes de chegar a Londres, precisará passar pela mais competitiva seletiva olímpica do mundo, em Omaha, Nebraska. Caso se classifique, chegará na Inglaterra com toda a expectativa de fazer coisas grandes por parte da maior potência mundial na natação, diferente desse Mundial, em que chegou como uma jovem revelação que poderia surpreender.

Katie Hoff passou por algo muito parecido em Atenas 2004 e sentiu a pressão. É de se entender quando se trata de uma menina de apenas 15 anos. Missy terá que lidar melhor com a situação em relação a sua compatriota. Aparentemente, a nova estrela da natação americana possui uma personalidade muito mais relaxada do que Hoff mostrava há 7 anos. Mas não conheço nenhuma das duas para afirmar isso, é apenas uma impressão. Realmente torço para que a evolução de Franklin seja constante e atinja um patamar muito alto em Londres. Não seu auge, pois com a idade e o talento que tem ela pode facilmente disputar muitas outras edições de Jogos Olímpicos e escvrever seu nome na história.

Melissa Franklin apareceu de vez, e tenho certeza que fará um bem enorme para a natação. Sua simplicidade, descontração e talento fora de série precisam ser exemplos para o nosso esporte. Gosto de imaginar que na mesma competição em que o maior nome da história da natação estará se aposentando outra lenda pode estar nascendo.

Categories: Natação
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